Meia garrafa de Johnnie Walker ao lado do sofá de bordô da sala. Três tocos de Malboro no cinzeiro sob a mesa de centro. Eu jogado no sofá, o cabelo desgrenhado, os pés sob a mesa de centro.
O som reproduz o raggae de Natiruts “Vem, ó meu bem…”, sinto uma vontade de chorar e desligo o aparelho, mas é em vão, a tua voz cantando-a pelos cantos me vem à mente e novamente desabo, já perdi as contas de quantas vezes caí em prantos durante essa madrugada nebulosa e triste em que me encontro sozinho, desejando que os últimos dias não tenham realmente acontecido, que você não tenha saído por aquela porta carregando as tuas tralhas. Tudo o que eu queria agora era discar seu número e dizer tudo o que está atravessado na garganta, revelar que esse tempo que você passou aqui, foi o melhor da minha vida, contar que eu adorava ver o teu cabelo espalhado pelo travesseiro, tua cara de sono, as suas unhas no meu braço enquanto a gente assistia aquele filme de terror, dos seus beijos doces, seu sorriso torto, seu brigadeiro de panela, sua bagunça, sua confusão. Sinto falta de você.
Bebo o restante da garrafa de Johnnie Walker e trago mais dois Malboro’s, adormeço no sofá com a certeza de que amanhã de manhã não terei alguém pra me acordar, me fazer tomar banho frio e beber café forte pra curar a ressaca.