quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ponto Final

O telefone toca uma, duas, três vezes, ela atende.
- Hey, amor, volta pra mim… - é uma voz trêmula que fala do outro lado da linha, mas ela reconhece.
- O que? Por que isso agora, hem? Percebeu que é ruim demais viver sem mim? 
- É, é isso mesmo, é ruim demais viver sem você, morena.
- Não me faça rir, por favor. E a sua amiguinha lá? A piranha? Vai atrás dela.
- Não, eu quero você, amor.
- Rá-rá. Não foi isso que você disse quando resolveu terminar tudo. Ela não te quis, é? Que pena, eu também não quero mais.
Ela desliga, respira fundo, sabe que não devia ser assim, é triste demais acabar desse jeito tão… duro. Mas foi ele quem quis assim, certo? Certo. Foi ele quem ligou naquela noite de quarta-feira e disse que não dava mais, que não era amor aquilo que sentia e ela, com pose de durona, também disse que nunca o amou. Ambos concordaram - pelo menos ali - que deviam seguir sua felicidade e não poderiam seguir juntos. 
Pronto, ela, orgulhosa, não disse nada, trancou-se o quarto e chorou a noite inteira abafando os soluços com o travesseiro, fora a única vez que chorou por ele, a única em que teve coragem de confessar que doía viver sem ele e que gostava demais dele. Confessou aquilo apenas a si mesma, nem à melhor amiga o fez, pelo contrário, sorriu quando contou-lhe o ocorrido e disse que estava bem, que iria atrás da felicidade e que haviam muitos outros homens por aí. E agora ele liga, numa sexta à noite, ela não se abala mais, realmente, não fora amor. 
De fato, quem vê essa morena andando por aí, julga-lhe feliz e, pode-se dizer que depois desse tempo sozinha, trancando-se no quarto à penumbra, escrevendo textos caçoando da própria situação e a mediocridade da vida em sábados à noite, ela realmente é. Hoje já tem de volta aquele típico brilho naqueles olhos cor-de-mel e um sorriso verdadeiro nos lábios, sem fingimento e choros abafados no meio da noite, apenas felicidade. 
Volta e meia ela ainda lembra dos beijos doces e das mãos quentes, mas são apenas lembranças que não voltam - e nem quer que voltem - e que um dia fizeram-na feliz. Acabou. Sem beijo de despedida, apenas um adeus e ponto final. Capítulo novo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Tempo de Criança


Saudades daquele tempo de travessuras, de correr no meio da casa, de sorrir por tudo - até por nada. Saudades do tempo em que me ralava toda nas brincadeiras de rua e essa era minha maior dor, à propósito, saudades também dos meus amigos, companheiros de brincadeiras, de risadas, das piadas ingênuas. Saudades de correr pra cama da minha mãe no meio da noite, chorando de medo da escuridão do meu quarto. Saudades de me preocupar com um brinquedo quebrado.
Eu era pequenina, travessa, sorridente, criança mimada, a princesinha da família. Saudades de brincar pelo pátio daquele colégio antigo, correr atrás dos moleques que pegavam minhas bonecas por picardia, pra caçar brincadeira. Lembro, e rio, das vezes que a professora me punha de castigo por bater nos meninos e brincar na hora errada, eu nunca fui fácil.
E aquele tempo em que namorar era andar de mãos dadas? Ah, tempo bom. Eu tinha um namoradinho, andávamos de mãos dadas pela escola e brincávamos de papai e mamãe das bonequinhas na casinha que tinha no fundo do pátio. Saudades de quando eu contava as horas para voltar pra escola e rever meus amiguinhos. Saudades de jogar bola no meio da rua, de patinar no parque, brincar no pula-pula, correr atrás dos meninos, tomar banho de mangueira, das cantigas, apostar corrida, pular corda cantando "Loiro-moreno-careca-cabeludo-rei-ladrão-polícia-capitão-anão...". Ah, saudade desse tempo que não volta mais. 
Feliz Dia das Crianças a todos nós, que guardamos dentro do peito aquela criança que um dia fomos e voltaremos a ser em nossos sonhos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sou tua


Como é que se diz pra um certo alguém que 'Tá difícil, tá doendo, fazem seis noites que não durmo direito pensando em você, filho da puta'. Falta coragem pra te ligar no meio de uma tarde qualquer e dizer que gosto de você e que tenho saudades do seu beijo, das suas mãos firmes e do seu corpo quente. 
Não vou dizer que estou à míngua, apenas tenho perdido noites seguidas de sono imaginando nós dois você sabe onde, você sabe como, você sabe... Só você sabe o que podia ter acontecido se tivéssemos nos dado uma chance de tentar, você conhece esse meu lado que mais ninguém teve a oportunidade de conhecer. Com você eu pude ser quem sou, te mostrei que sou essa confusão, essa menina-mulher, meio madura, meio criança, meio louca, meio safada, mas você se assustou e foi embora. Mas, hey! Se você quiser a gente pode ir com calma, a gente pode começar tudo novamente, eu escondo esse meu lado 'diferente', pelo menos por enquanto, se é o que você quer, meu bem. Quero ser tua e quero que sejas meu. 
Eu fico sonhando acordada, imaginando nós dois juntos, jogados na cama, no sofá. Ou apenas sentados na praça tomando sorvete e fazendo gracinhas, porque isso é o que importa: o sorriso um do outro. O meu sorriso é seu — e minhas lágrimas também.