terça-feira, 26 de julho de 2011

Aconchego

Aquela noite era especial, o céu estava repleto de estrelas e a Lua estava linda como a tempos não estivera, por mais bonita que estivesse, aquele silêncio era devastador e pedia que a cidade dormisse, sonhasse, mas  eu ignorava e ficava ali na janela com as luzes apagadas, apenas observando o céu, os telhados, na verdade, eu procurava um lugar que não fosse a minha cama que é quente e aconchegante como teus braços a me envolver, eu recostei a cabeça na janela e chorei embaçando o vidro, mas era exatamente o que eu precisava, sofrer longe de tudo que me lembra você.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Chuva forte

Chovia, chovia forte e eu ia andando em meio a chuva, ao encontro dele agarrada a uma garrafa de whisky barato, no bolso, o celular que a esta altura já não funcionava mais. Eu ia pulando as poças d'água e me sentia fria, pois apesar de bem agasalhada, a roupa estava encharcada.
A uma altura eu já podia pegar um táxi, mas a casa dele estava perto, então continuei andando. Passou um ônibus lotado e logo em seguida um carro que encharcou-me ainda mais e cobriu-me de lama. A chuva estava aumentando e eu tremia de frio, abri a garrafa de whisky e dei um gole.
Eu estava perto do apartamento quando lembrei que o rímel que passara deveria estar um borrão em volta dos olhos e a maquiagem devia ter escorrido. Quando chegasse lá, tomaria um banho e vestiria uma blusa dele, ele arrumaria a cama com cobertas quentes e ficaríamos ali, abraçados entre vários goles de whisky.
Cheguei ao prédio e o porteiro encarou-me com cara de desprezo, peguei o elevador e ao sair percebi que o deixara todo molhado. Esmurrei a porta e ele abriu com um sorriso no rosto "você está toda molhada", disse e logo me beijou enquanto puxava-me para dentro.

Não é tristeza

- Não é tristeza - dizia entre uma golada e outra ao garçom do bar onde estava a pouco mais de quarenta minutos - Só quero sentir a vodka queimar minha garganta. Só eu e ela. A vodka me rasgando por dentro. Não se preocupe, eu estou bem, muito bem. - ela deu mais uma golada acabando com a vodka que ainda restava na garrafa.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

- De onde ela vem?
- Ela quem?
- A dor.
- O que tá doendo?
- Aqui dentro - colocou a mão no peito -, mas de onde ela vem?
- Sei lá... mas uma vez eu caí de bicicleta.
- E daí?
- E daí que doeu.
- Então a dor vem quando a gente cai?
- Acho que é.
- Então meu tombo foi feio.
- Olha...
- O quê?
- A cicatriz, ou você achou que não ficariam marcas?
Silêncio.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Passos

Eu estava caindo e senti que ninguém me pegaria pelo braço e puxaria para cima. Vi o chão se aproximando, era algo enlameado. Permaneci jogada no chão, o coração estava ao pulos, minha respiração era ofegante, finalmente consegui me levantar, mas meus passos ecoavam em meus ouvidos mais altos que meus próprios pensamentos, a cada passo o barulho parecia aumentar mais, até se tornar insuportável e uma lágrima escorrer carregada de lembranças e dores, densa como o sangue que escorre por minh'alma.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Suicídio

O prédio refletia o azul-celeste do céu, ele tinha doze andares e eu estava no terraço, de lá pude ver algumas casas, uns prédios, carros e pessoas, tão insignificantes vistas de cima.
Passei a perna direita por cima da proteção, fechei os olhos para sentir o vento querendo puxar-me , passei a perna esquerda já com os olhos abertos, olhei para trás com medo de que me observassem e constatei que não havia ninguém, eu estava sozinha. Segurei com mais firmeza e lembrei da carta que havia escrito deixando todos os meus pertences a minha mãe e informando onde estava a caixa que guardava as cartas de desespero que havia escrito nos últimos meses.
Olhei para baixo mais uma vez e me lembrei de todos os que me magoaram, "desgraçados", soltei. Lembrei-me dele, o idiota que me fez chorar por muito tempo e que motivou-me a isso.
Dei mais uma olhada para baixo, para os carros, para as pessoas "não sentirão minha falta", falei para mim mesma, observei o vento forte e percebi pelas nuvens que agora cobriam o céu que iria chover. Esperei a chuva começar, ela já estava forte e os pingos em minha pele doíam, finalmente me joguei, como era bom voar, mesmo sem  asas. Durante o trajeto me imaginei estilhaçada no chão, sangrando, a chuva me molhando e os curiosos ao redor.  Então parei de pensar em tudo, esvaziei a mente e aproveitei, até que senti o chão frio e não pude ver mais nada.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A chuva escorre pelo lado de fora e suas lágrimas pelo lado de dentro da janela, os trovões lá fora nem se comparavam aos barulhos vindos do seu pensamento, a atordoavam. O coração pulava no peito como se quisesse sair correndo atrás dele, ela também queria fazê-lo, mas não podia. O "não podia" soou como eco em seu pensamento e doeu no coração. O pulso esquerdo refletia o estado doentio da alma, sangrava, mas aliviava, todos a iriam julgar, mas não importa, realmente aliviara a dor, mesmo que momentaneamente.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Abismo

Ler ouvindo:  Pitty - Água contida
Eu estava descalça em meio àquela chuva fina e o vento frio. As pessoas iam para o lado oposto à chuva, enquanto eu ia em sua direção, encarando-a de frente. Todos se escondiam, e eu, molhada ali no meio do caminho, no meio do caminho em direção ao abismo. A um passo, parei e pensei em tudo o que me fizera chegar até ali, respirei fundo e me lembrei que agora não tinha mais volta, fechei os olhos e dei o passo final, me joguei naquele abismo.

Saudade

Ler ouvindo: Lifehouse - I try
Ele estava ali, sentado numa mesa de quatro lugares. Dois lugares ocupados, em um, ele e sua blusa velha da Coca-Cola, na outra, seus pés calçados com um All Star surrado. O bife com batatas fritas que sua mãe fizera já estavam frios e o prato fora empurrado como faz alguém que não vai comer. Ele apoiou os cotovelos na mesa e passou os dedos em seu cabelo preto enquanto se lembrava do quanto ela gostava de bagunçá-lo.
Apagou a luz da cozinha e foi até o banheiro, escovou os dentes, jogou uma água no rosto e encarou o espelho refletido com sua imagem. Ajeitou a cama e deitou-se, mas ele sabia que aquela seria como as outras noites de insônia que tivera ultimamente. Abriu a gaveta do criado-mudo ao seu lado e retirou de lá algumas cartas apaixonadas que ela um dia o escrevera e que ainda continham seu perfume, na frente dele, havia um mural de fotos dela que fora recusado a tirar. A saudade agora, batera forte em seu peito diante de todas aquelas lembranças.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dor de amor

Ler ouvindo: Agnela - Podia ser
Era noite, a garota estava num quarto escuro, iluminada apenas pela luz da Lua crescente que penetrava por uma fresta da janela que ela mesma deixara. Apesar da pouca luz, pude ver que seus olhos eram um emaranhado de lágrimas, seu rosto estava vermelho de tanto chorar, os soluços eram soltos sem a preocupação de que alguém os ouvisse, e ela transmitia um desespero que deixaria qualquer um totalmente desconfortável a seu lado. Seu coração, pude perceber, estava tomado por amarguras e dor, dor de amor, suponho.

Banho.

Despi-me peça por peça, as jogava formando um monte de roupas sujas no chão. Liguei a ducha e a água avançou sobre mim , o sabonete deslisava sob minha pele e logo escorria com a água.
Sentei-me no chão e recostei a cabeça na parede, a água ainda caia com intensidade sob meu corpo, minha mente estava longe, os olhos fechados tentavam conter as lágrimas, algo inútil, já que alguns segundos depois eu já soluçava. O barulho da ducha abafava meus inquietantes soluços de dor, uma dor que vinha de dentro. Por algum tempo observei as gotas que escorriam por minhas pernas, eram tão apressadas como as pessoas em minha vida.
Levantei-me e lavei o rosto novamente, desliguei a ducha e saí do box, a água que escorria do meu corpo molhara todo o banheiro, escondi o corpo em um roupão.
Vesti-me rapidamente, fiz uma maquiagem forte para esconder a cara de choro que ainda me restara, olhei-me no espelho observando cada detalhe "perfeito", soltei. Coloquei o mesmo sorriso falso que sempre enganara a todos e saí com a certeza de que não saberiam da minha dor.

Ei!

Resolvi criar esse blog para postar os contos e diálogos que costumo criar. Sim, ele tem o mesmo nome do meu tumblr por que eu não tenho muita criatividade para nomes e títulos, então não estranhem se alguma postagem não tiver título. Esse não é o primeiro blog que crio, tenho um outro ainda ativo, a maioria dos que criei perdi a senha ou desisti de postar, espero que esse blog me faça bem.