O prédio refletia o azul-celeste do céu, ele tinha doze andares e eu estava no terraço, de lá pude ver algumas casas, uns prédios, carros e pessoas, tão insignificantes vistas de cima.
Passei a perna direita por cima da proteção, fechei os olhos para sentir o vento querendo puxar-me , passei a perna esquerda já com os olhos abertos, olhei para trás com medo de que me observassem e constatei que não havia ninguém, eu estava sozinha. Segurei com mais firmeza e lembrei da carta que havia escrito deixando todos os meus pertences a minha mãe e informando onde estava a caixa que guardava as cartas de desespero que havia escrito nos últimos meses.
Olhei para baixo mais uma vez e me lembrei de todos os que me magoaram, "desgraçados", soltei. Lembrei-me dele, o idiota que me fez chorar por muito tempo e que motivou-me a isso.
Dei mais uma olhada para baixo, para os carros, para as pessoas "não sentirão minha falta", falei para mim mesma, observei o vento forte e percebi pelas nuvens que agora cobriam o céu que iria chover. Esperei a chuva começar, ela já estava forte e os pingos em minha pele doíam, finalmente me joguei, como era bom voar, mesmo sem asas. Durante o trajeto me imaginei estilhaçada no chão, sangrando, a chuva me molhando e os curiosos ao redor. Então parei de pensar em tudo, esvaziei a mente e aproveitei, até que senti o chão frio e não pude ver mais nada.
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