Chovia, chovia forte e eu ia andando em meio a chuva, ao encontro dele agarrada a uma garrafa de whisky barato, no bolso, o celular que a esta altura já não funcionava mais. Eu ia pulando as poças d'água e me sentia fria, pois apesar de bem agasalhada, a roupa estava encharcada.
A uma altura eu já podia pegar um táxi, mas a casa dele estava perto, então continuei andando. Passou um ônibus lotado e logo em seguida um carro que encharcou-me ainda mais e cobriu-me de lama. A chuva estava aumentando e eu tremia de frio, abri a garrafa de whisky e dei um gole.
Eu estava perto do apartamento quando lembrei que o rímel que passara deveria estar um borrão em volta dos olhos e a maquiagem devia ter escorrido. Quando chegasse lá, tomaria um banho e vestiria uma blusa dele, ele arrumaria a cama com cobertas quentes e ficaríamos ali, abraçados entre vários goles de whisky.
Cheguei ao prédio e o porteiro encarou-me com cara de desprezo, peguei o elevador e ao sair percebi que o deixara todo molhado. Esmurrei a porta e ele abriu com um sorriso no rosto "você está toda molhada", disse e logo me beijou enquanto puxava-me para dentro.
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