quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ela só dorme

E ela fica olhando pro nada, e chora do nada também, num instante aquele rostinho se enxarca e seus olhinhos, antes tão bonitos, ficam vermelhos, ela bem que tenta conter aquelas lágrimas, mas é em vão, então ela repete aos sussurros para si mesma "força menina, força", e ao som de seus soluços desesperados, ela dorme, amanhã ela aprende a cessar a dor, hoje não, hoje ela só dorme.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tempestade

Era meio estranho vê-lo assim, sorrindo feito bobo olhando as nuvens negras se formando no céu, e eu ali, do seu lado com medo de dizer o que meu coração mandava, talvez por falta de oportunidade.
- Eu gosto quando as nuvens ficam cinzas, quase formando uma tempestade.
- Eu gosto de você...
Ele não olhou pra mim e naquele momento meu mundinho pareceu ainda menor, mas pronto, eu já tinha falado. Senti as primeiras gotas da tempestade que chegaria tocando minha pele, ele se levantou e saiu correndo, no meio do caminho parou e gritou-me, era o que meu coração precisava ouvir.
- Você não vem? - foi o que ele gritou em meio àquela tempestade já formada, e eu ouvi como um 'eu te amo também'.
Então eu corri em sua direção, e  de mãos dadas corremos pelos próximos quarteirões, chutando pedras e pulando em poças.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Deixa de teimosia

Às vezes aquela menina-mulher brinca de bem-me-quer mal-me-quer. Tola. Ela ainda tem seus olhinhos castanhos, quase-verdes, inchados e vermelhos, ah, menina, vê se aprende com o que a vida tá querendo ensinar, deixa de teimosia, aprende comigo: coração é pra ser guardado a sete chaves e oito fechaduras.

Sobre a solidão

[...]
- Sabe, eu me acostumei a se sozinha.
- Mentira!
- Han?
- Você não se acostumou.
- Como sabes?
- Sei que choras todas as noites e que sente falta de alguém do teu lado.
- É. - pausa -, mas como sabes?
- Eu vivo isso como você, meus amor.
- Dói muito, né?
- É, mas dói mais fingir estar bem.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dois Meses

O Sol retomava seu lugar no céu e ela tomava o último gole de vinho tinto. Terminara de arrumar a mesa da varanda com algumas flores num vaso improvisado e as duas taças acompanhadas pelo vinho que encontrava-se na adega a pouco mais de três anos, a Lua tomara o céu a uns vinte minutos. Ela passara a noite ali, arrumada, vestia um vestido preto de cetim e calçava um scarpin de mesma cor, a maquiagem era forte e permaneceu impecável durante toda a noite.
Ela ocupava um dos assentos daquela mesa de dois lugares, bebia em uma das duas taças de vinho, sozinha. Permanecera assim por todas aquelas intermináveis horas, entre um gole e outro, olhava fixamente a cadeira vazia à sua frente, sabia que ele não a faria companhia aquela noite, assim como nos dois meses que antecederam-na.
Após aquela dolorosa despedida, ela era como um pássaro que fora preso em gaiola, não tinha vontades e só o que sabia era esperá-lo à varanda todas as noites.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Primavera

Acordei e vi a luz que penetrava a janela, olhei para o lado procurando-o, não achei: "talvez tenha ido". Calcei as pantufas que ganhara dele no último inverno e estavam à beira da cama. Escovei os dentes e penteei meu emaranhado de cabelos. Caminhei até a cozinha e deparei com ele a observar o jardim através da janela, tinha em mãos uma xícara de café.
- Pensei que tivesse ido. - sussurrei.
- Não perderia as flores se abrindo na primavera que começara ontem - ele não se virou.
- Ah - disse cabisbaixa - pela primavera, claro.
- Pelas flores. Por você. Pelas flores que me lembram você. - ele finalmente virou-se.
- Vai embora quando ela acabar?
- Não. Vou quando o outono acabar. Verei as flores murcharem e caírem.
- Não me verás murchando.
- Não murchas, meu bem.
- Mas murcharei quando você se for.
- Então não irei.
- Não vá.
- Ficarei. Por você. Por nós. Pelas flores. Pelas próximas Primaveras.