quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dois Meses

O Sol retomava seu lugar no céu e ela tomava o último gole de vinho tinto. Terminara de arrumar a mesa da varanda com algumas flores num vaso improvisado e as duas taças acompanhadas pelo vinho que encontrava-se na adega a pouco mais de três anos, a Lua tomara o céu a uns vinte minutos. Ela passara a noite ali, arrumada, vestia um vestido preto de cetim e calçava um scarpin de mesma cor, a maquiagem era forte e permaneceu impecável durante toda a noite.
Ela ocupava um dos assentos daquela mesa de dois lugares, bebia em uma das duas taças de vinho, sozinha. Permanecera assim por todas aquelas intermináveis horas, entre um gole e outro, olhava fixamente a cadeira vazia à sua frente, sabia que ele não a faria companhia aquela noite, assim como nos dois meses que antecederam-na.
Após aquela dolorosa despedida, ela era como um pássaro que fora preso em gaiola, não tinha vontades e só o que sabia era esperá-lo à varanda todas as noites.

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