Acordei e vi a luz que penetrava a janela, olhei para o lado procurando-o, não achei: "talvez tenha ido". Calcei as pantufas que ganhara dele no último inverno e estavam à beira da cama. Escovei os dentes e penteei meu emaranhado de cabelos. Caminhei até a cozinha e deparei com ele a observar o jardim através da janela, tinha em mãos uma xícara de café.
- Pensei que tivesse ido. - sussurrei.
- Não perderia as flores se abrindo na primavera que começara ontem - ele não se virou.
- Ah - disse cabisbaixa - pela primavera, claro.
- Pelas flores. Por você. Pelas flores que me lembram você. - ele finalmente virou-se.
- Vai embora quando ela acabar?
- Não. Vou quando o outono acabar. Verei as flores murcharem e caírem.
- Não me verás murchando.
- Não murchas, meu bem.
- Mas murcharei quando você se for.
- Então não irei.
- Não vá.
- Ficarei. Por você. Por nós. Pelas flores. Pelas próximas Primaveras.
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