E, então - não de forma repentina como pensariam - um vazio inundou-lhe e sentiu-se doer, uma dor daquelas maiores que qualquer joelho ralado, era como se sua alma sangrasse e poças desse sangue fossem formadas no chão. Sabe, daqueles vazio que nada preenche, nada ameniza. Só ele.
Ela discou o número dele, e ao ouvir-lhe do outro lado da linha naquele "alô, alô, alô" desesperado a fazia bem. Algum tempo naquele silêncio, ele soltou:
- Sei que és tu, Bia.
- Como sabes?
- Reconheci tua respiração...
- Então por que não disseste algo antes?
- Ouvir tua respiração me faz bem.
[Silêncio]
- Por que paramos de nos falar? - ela perguntou-lhe.
- Eu não sei, sei apenas que sinto falta de sentir meu coração acelerar quando te vejo.
- Também sinto falta de nós dois, muita, pra falar a verdade, bem mais que deveria.
- Eu te amo.
Então ficaram ali apenas a ouvir a respiração um do outro, ela de um lado, a dor aliviada, ele do outro apenas sentindo o amor a inundar-lhe.
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