A madrugada era silenciosa, exceto pelo ‘toc-toc’ daquele
salto agulha na calçada. O céu era inquietantemente cinza. Ela ia andando rápido.
Tinha fartas olheiras que denunciavam a noite sem dormir. A maquiagem forte já
escorria-lhe o rosto. Ester vestia um casaco masculino preto por cima de seu
vestido de mesma cor, os sapatos eram vermelhos, de uma vermelhidão que
quebrava a sobriedade daquela madrugada nebulosa.
Ela jogou o resto daquele cigarro no chão e atravessou a
rua, que a esta hora, estava deserta,
abraçou-se tentando conter o frio, mas fora em vão, já que a garoinha começava
a cair. Continuou a andar , ouviu um barulho de carro cada vez mais próximo,
ela acelerou os passos, quase correndo. Olhou para trás. Era ele, Filipe, seu
pequeno. Ele buzinou convidando-a a entrar no carro. Eufórica, ela atendeu ao
pedido, deu-lhe um beijo, logo após, jogados no banco traseiro sentiam o corpo
gélido dela contrastando com o cálido dele. Fizeram amor ali, no meio daquela
praça, dentro do carro prata dele, ao som da chuva que caia lá fora. A noite em
claro que passaram não fora suficiente, queriam-se mais, necessitavam-se mais. Ficaram
ali até o primeiro raio de Sol surgir no horizonte.
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