sábado, 5 de novembro de 2011

Constrastes


A madrugada era silenciosa, exceto pelo ‘toc-toc’ daquele salto agulha na calçada. O céu era inquietantemente cinza. Ela ia andando rápido. Tinha fartas olheiras que denunciavam a noite sem dormir. A maquiagem forte já escorria-lhe o rosto. Ester vestia um casaco masculino preto por cima de seu vestido de mesma cor, os sapatos eram vermelhos, de uma vermelhidão que quebrava a sobriedade daquela madrugada nebulosa.
Ela jogou o resto daquele cigarro no chão e atravessou a rua, que a esta hora,  estava deserta, abraçou-se tentando conter o frio, mas fora em vão, já que a garoinha começava a cair. Continuou a andar , ouviu um barulho de carro cada vez mais próximo, ela acelerou os passos, quase correndo. Olhou para trás. Era ele, Filipe, seu pequeno. Ele buzinou convidando-a a entrar no carro. Eufórica, ela atendeu ao pedido, deu-lhe um beijo, logo após, jogados no banco traseiro sentiam o corpo gélido dela contrastando com o cálido dele. Fizeram amor ali, no meio daquela praça, dentro do carro prata dele, ao som da chuva que caia lá fora. A noite em claro que passaram não fora suficiente, queriam-se mais, necessitavam-se mais. Ficaram ali até o primeiro raio de Sol surgir no horizonte.

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