E já é de manhã, abre os olhinhos devagar, quer dormir um pouco mais, mas não dá. A luz que entra pela janela anuncia o dia lindo que brilha lá fora. Encara o teto devagar, arrasta o cobertor e pensa nele, porque é isso que as pessoas apaixonadas fazem ao acordar, pensar ‘nele’ e desejar que esteja bem e que, por hoje, aconteçam coisas boas.
Levanta, toma banho, escova os dentes, veste roupa, toma café, lê jornal. Nada de novo, o mundo está em guerra, a economia está crescendo, mais gente foi morta por bandidos, mais bancos foram roubados, já virou rotina. Sai às pressas, pega um táxi, vai em direção ao trabalho, há muito o que fazer, observa as pessoas tão apressadas quanto ela, algumas andando rápido, quase correndo, é tudo um caos.
Algumas quadras e está na porta do trabalho, cumprimenta o porteiro, um ‘oizinho’ pra secretária, liga o computador e dá início a mais uma jornada estressante e cansativa de trabalho. Ao fim do expediente, quase sete da noite, ouve o celular vibrar e atende sem interesse no número desconhecido que acende no visor.
─ Alô?
─ Anna?
─ Oi. Quem ta falando?
─ Não reconheceu a voz?
─ Não - respondeu já impaciente.
─ Sou eu, Gustavo, Anna.
─ Ah. E por que resolveu me ligar? Lembrou da minha existência?
─ Eu nunca esqueci.
─ E por que nunca mais deu notícias?
─ Eu estava tentando te esquecer, Anna.
─ E…
─ E que não consegui, é por isso que eu tô te ligando e é por isso que eu quero que você saia na porta do seu trabalho, estou te esperando.