Escrito ao som de Passa e Fica - Scracho
Ela atravessa o bar, a tristeza entalada na garganta, o olhar pesado, um salto quinze e um tubinho preto. Linda e triste. Debruça-se no balcão e pede uma vodka, não uma dose, mas uma garrafa de vodka. Senta numa mesa no canto mais escuro do bar, à princípio vê-se os goles desesperados, tempo depois, ouve-se os soluços, sim, ela está chorando. Todos, até os mais bêbados e o atendente a encaram, ela apenas vira mais uma dose na boca.
Permanece ali mais algum tempo e levanta-se abruptamente, passa no balcão e joga cem reais, sem esperar o troco. Leva o resto da bebida nas mãos e continua equilibrada no salto, desce a rua e vê-se de frente à casa do canalha filho-da-puta que a deixou nesse estado: chorosa, às traças.
O relógio marca quase meia-noite, ela aperta várias vezes o interfone, ninguém atende, ela então, senta-se no meio-fio e chora mais uma vez, a maquiagem escorre junto às lágrimas e o bafo de bebida só aumenta após várias goladas.
Agora já passa de uma e meia da madrugada, o carro dele vira a esquina, ela reconhece, mas não levanta-se. Ele vem acompanhado de uns amigos, nenhuma mulher, ela verifica. O carro para a seu lado e o pobre moço desce desesperado:
- O que aconteceu com você, Anna?
Ela não responde, apenas encara-o com olhares de piedade, ele a recolhe contra o peito e sussurra:
- Minha pequena, eu te amo, esquece aquela nossa briga, não foi nada. Eu amo você - agora considere como um grito em meio ao silêncio.
- Eu também amo você, Lucas - a pequenina voltou a chorar.
- Ei, minha Anna, não chora não, eu vou cuidar de você. Pra sempre.
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