A moça tinhas os cabelos negros à altura dos ombros, a pele clara e uma ansiedade perceptível até mesmo aos mais tolos naqueles olhinhos castanhos.
Ela havia pintado as unhas de vermelho e trazia em dois dos dedos da mão direita anéis, carregava uma gargantilha com pingente de bailarina e vestia calça jeans e blusa estampada. Tinha livros nas mãos e andava apressadamente - quase correndo - em direção ao metrô, que a essa hora estaria relativamente vazio, entrou e conseguiu um assento próximo à porta. Distraiu-se a observar as caricias entre uma senhora e um senhor logo à frente, ambos aparentavam possuir seus quase setenta anos e meia vida juntos. Já na próxima estação, adentraram alguns poucos passageiros, entre eles, um antigo amor, este que fez questão de sentar-se a seu lado.
- Oi, Ester - enão esse era o nome da bela moça: Ester.
- Oi, Filipe. Quanto tempo! - não fazia tanto tempo assim, um mês, em média, numa festa de uma amiga em comum.
- É... - houve um silêncio perturbador, que logo foi corrompido - Como andam as coisas?
- Bem, continuo respirando, não é mesmo? - respondeu sarcasticamente - E você, como vai?
- Respirando, como você disse - uma pausa e a continuação sussurrada - só sinto a sua falta.
- Eu também sinto sua falta - foi num sussurro que Ester o surpreendeu.
O silêncio tomou aqueles dois por alguns longos minutos até que a bela quebrou-o:
- Desço na próxima parada, tchau.
- Eu te ligo - quase gritou à moça, enquanto esta caminhava - É o mesmo número?
- sim, é sim, me ligue - Ester respondeu com um largo sorriso, este, que fora correspondido pelo belo rapaz.
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