Eram três da manha e eu não havia sequer pregado os olhos, rolei na cama na tentativa frustrada de dormir, por fim, peguei meu caderninho e escrevi umas frases soltas, coisa de menina-mimada quando não tem o que quer, depois juntei e fiz um texto bonitinho dizendo como eu amo você e relatando a intensidade com que meu coração palpita quando te vê, e como o mesmo gritou a madrugada inteira o quanto doía a saudade de ti.
Assim que vi os primeiros raios de sol, tomei um banho quente e saí, quem me visse saindo a essa hora com tamanhas olheiras deduziria que eu estava mal e não tinha dormido, então eu teria que explicar com toda calma do mundo que não era bem assim e mentiria dizendo estar tudo bem, mas a essa hora não há ninguém pelas ruas, vê-se apenas a padaria aberta e o padeiro com um sorriso amarelo, feito gente que sorri por obrigação. Andei por alguns quarteirões e me vi em frente ao prédio em que você mora, cumprimentei o porteiro que estava meio sonolento e me conhecia de longa data. Peguei o elevador em direção ao quinto andar, saí e toquei a campainha no 168, você demorou, mas apareceu na porta, tinha o rosto amassado e vestia uma calça de moletom surrada, sorri meio sem-jeito e você me convidou a entrar.
- O que você tá fazendo aqui à essa hora? - dito por outro qualquer, isso soaria grosseiro, na voz dele não.
- Vim te ver.
[Silêncio]
- Quer um café?
- Uhum, mas pode deixar que eu faço, você não é bom com cafés.
Ele riu.
- Sentiu saudades, foi, Anna?
Encarei-te por instantes e vi brilho em seu olhar, respondi sem medo.
- É…
Você me abraçou por trás enquanto eu colocava a água no coador, por sorte não nos queimamos, você me beijou terno com seus lábios quentes enquanto acariciava meus cabelos.
- Eu te amo, Anna - sussurrou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário