Seus olhos eram trêmulos e indagavam inquietamente o por que de tamanha agressividade, eu acabava frustrada por mostrar-te apenas meu lado de rancor, mas você nunca soube da minha dor. Sufoco os gritos e deixo a agressividade apenas para o olhar, encara-me incrédulo de que dentro de tua pequena haja tanta amargura.
Lembro-me com enorme frequência de nossas noites de amor, tu deitavas em minha cama, sujava meus lençóis, acariciava meu corpo nu, beijava minha boca e perdíamo-nos naquela putaria do entrelaçar dos corpos, acabávamos exaustos, jogados sob a cama. Agora, bem, agora tu me encaras com esse olhar incrédulo, negando qualquer vestígio de amargura contida em mim, mas entenda, amor: é só ciúmes, medo que teu corpo se entrelace a outro que não o meu, que deites em outra cama que não a minha, que beije outros lábios. É tudo medo, ciúmes, coisa boba, me promete que vai ficar e dá aquele sorriso de mostrar toda a dentaria e eu me derreto toda, entrego-me de bandeja pra ti, só pra ti. Não tentes descobrir o que penso, auto-controle nunca foi o meu forte, então ignora meu amargo e continua mastigando minha alma. Entregue-se, te mastigarei também.
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