domingo, 30 de setembro de 2012

Sábado à noite


Sábado à noite em casa, trancada no quarto, sentada no chão em frente ao espelho, fitando aquela imagem que é refletida, observando as próprias lágrimas escorrerem por aquele rosto agora tão vermelho, busca abafar os soluços com as mãos, mas é em vão, são altos demais para serem abafados assim. Li outro dia, em algum lugar algo assim “As mulheres choram em frente o espelho para se fazer companhia”, concordo. 
Quem a vê, não diz que ela seja assim, tão destruída emocionalmente. Ela é moça bonita, de boa família, com alguns amigos, inteligente, mas quem diria que ela é estragada, deformada, desestruturada emocionalmente. Quem diria que aquela garota tão bem resolvida, alegre, divertida, é assim…
Ela chora como se sua dor fosse a maior do mundo, não é. Mas ela chora, chora com sua alma machucada, chora porque não aguenta toda essa pose a qual se sujeita. Chora porque é menina mimada, chora porque quer colo de mãe. Seus motivos não são os melhores nem maiores, mas foda-se, ela chora como se fossem. 
É sábado à noite e ela está sozinha num apartamento de paredes finas e sabe que os vizinhos ouvem seu choro. É sábado à noite e ela não saiu pra beber com os amigos ou pra beijar lábios desconhecidos. É sábado à noite e ela se faz companhia enquanto chora por motivos pequenos acumulados. É sábado à noite e ela põe todo o choro engolido em dia. É sábado à noite e ela apenas chora. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ingenuidade


Hoje está chovendo lá fora - não eu não vou dizer que está chovendo aqui dentro, não está. Eu gosto de chuva. Eu gosto do cheiro de chuva. Eu gosto de ver os pingos escorrendo pela vidraça. Eu gosto de chuva nos fins de tardes de verão. Essas chuvas fortes e repentinas. 
Busco aquele filme que comprei há tempos e está em meio aos montes esparramados dentro do armário, era tão bonito. Lembro que chorei no final, assisti só uma vez, mas chorei no final. Eu era menina ainda, por volta dos meus 15 anos, estava envolta em braços fortes e quentes do meu primeiro namorado. Eu chorei e ele enxugou minhas lágrimas, beijou-me a boca e tivemos uma noite de sacanagens, minha primeira. É a esse filme que vou assistir. Sempre achei que romances combinassem com chuva e chocolate. 
Afundo-me no sofá com uma panela de brigadeiro e coca cola, algumas almofadas e um cobertor, há tempos não me sentia tão confortável. Na primeira cena dou risada da ingenuidade da protagonista diante um homem, bem apresentado, é verdade, mas um típico canalha, e ela se apaixona por esse canalha, tapada. Caçoo de como ela vira noites lamentando-se por não tê-lo, ela o ama. Lembro que também já fui assim. Quantas noites em claro por um idiota? Incontáveis. Quanta ingenuidade pensar que um homem não querer-te é o fim-do-mundo, um apocalipse. Hey, não é.
Não consigo chorar no fim, apenas rio, caçoo de mim mesma, de como é dada importância a uma paixão quando se é jovem demais. Ainda bem que a gente cresce, ainda bem que a vida é maior que um 'amor' que não deu certo, ainda bem que a gente encontra 'amores eternos' algumas muitas vezes, ainda bem que existem outras chances, outros bares, outras ruas, outras experiências, ainda bem que a gente cresce e ainda assim sente seu coração bater mais forte por outro alguém, ainda bem que um dia seu coração bate forte por alguém e o desse alguém também bate forte por você. Ainda bem que essa nossa ingenuidade nunca morre, só espera o momento para re-aflorar.

sábado, 15 de setembro de 2012

Não deu certo


No meio dessas madrugadas infindas de insônia, fito o teto e as cortinas meio sem-cor, o guarda-roupas escancarado e vejo minha imagem meio turva refletida no espelho. Escrevo um milhão de palavras e frases sem sentido, penso nas palavras que tentei te dizer mas que continuam engasgadas por aqui. Não, não vou dizer que sinto falta do seu afeto e dos seus beijos, não sinto. Isso mesmo: não sinto falta de você. Mas não adianta, não vou mentir, você vez por outra ainda invade meus pensamentos insanos à penumbra desse quarto frio. 
Não, a gente nunca deu certo. Se é que algum dia realmente existiu 'a gente'. Durou quanto tempo? Dois meses? Sim, dois meses e alguns dias. Mas não, não deu certo. Você se lembra de um dia sequer que a gente não tenha brigado, nem ao menos uma discussãozinha? Eu não. Você era ciumento demais, possessivo demais, hipócrita demais e, não quero mentir, eu também era. Me diz como é que podia dar certo uma história dessas? Só o amor não basta, só o fogo não basta. Apenas em filmes de comédias românticas isso é o suficiente. 
Eu era carente, você não sabia dar carinho. Você queria palavras de afeto, eu não as tinha. Eu queria estar sempre junto, você não se esforçava para que nos víssemos. Você era popular, eu era a menina tímida que não simpatizava com suas amigas. É, realmente não podia dar certo. Eu sou imperfeita demais, ou nós dois somos? Tanto faz, o que interessa é que foi melhor assim: cada um segue seu rumo. 
Mas, hey, só queria te dizer uma coisa: a sua voz acalmava esse meu coração aflito, você me arrancava sorrisos por qualquer besteira que fazia e eu gosto de você, só atende a esse pedido: não me esquece num canto qualquer, me guarda ai juntinho de você. Eu vou te guardar aqui. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Aquelas antigas comédias românticas


Continuo andando por essas ruas tão cinzas nessa noite tão fria, com essas pichações tão sem-sentido, admirando essas putas tão insanas, ouvindo esse silêncio tão triste, carregando na mala esses sentimentos tão complicados.
Caminho por ai sozinho em noites de sábado, em que os bares estão lotados, os bordéis estão à todo vapor, as boates, cálidas. Conversa animada, risadas incessantes, beijos ardentes, abraços amáveis, sexo ardente. Me vejo perdido nesse mundo onde as pessoas saem para se divertir com os amigos ou para encontrar a pessoa com quem vai transar, eu saio pra pensar, para tentar organizar esses sentimentos tão confusos, ouvir boa música, quem sabe beber algo.
Volto para casa, esparramo-me sobre o sofá de couro legítimo que comprei no mês passado, bebo o Red Label que está guardado a séculos no fundo do armário, assisto a uma comédia romântica dos anos 80 e vezenquando fito as estrelas que brilham do outro lado da vidraça. Choro um pouco, sinto a falta dela e de como acariciava meus cabelos e como era bom ouvir aquela voz tão doce que a cada cinco minutos fazia um comentário sobre a mocinha do filme, a doçura do mocinho, o gosto do chocolate e tantos outros.
Como num instinto, pego o telefone e disco os números do telefone de minha pequena, por um momento hesito e penso em desligar, mas era tarde demais:
- Alô?
- Oi… Como andam as coisas por ai?
- Bem e por ai?
- Um pouco monótonas.
- É…
- Ta fazendo alguma coisa?
- Não, nunca faço nada em sábados à noite, você sabe.
- Quer vir aqui? Digo, pra assistirmos a uma comédia romântica?
- Aquelas antigas que você guarda?
- É…
- Em vinte minutos chego ai.
Tutututu. 

Apenas leia-me, meu bem


Ei, por favor, me lê, prometo que serei breve e que tentarei não usar aquelas ladainhas meio poéticas, meio prolixas. Prometo, lê-me. 
Eu só queria te dizer que foi bom esse nosso tempo junto e que eu não me arrependo de nada do que vivemos, foi bom enquanto durou, foi pra sempre. Foi. Você, apesar de tudo, me fez sorrir demais e me ensinou a ser mais forte, que chorar é bom e que lutar é preciso. Você foi uma soma enorme na minha vida e apesar de não ter sido até o fim de nossos dias, como a gente prometeu naquela tarde do dia dez, valeu a pena, valeu muito a pena.
Meu pequeno, meu neguinho, sinto uma falta danada de você aqui do meu lado, me confortando, me chamando de idiota e mandando eu ir estudar. Me promete que não vai me odiar? Promete, vai. Olha nos meus olhos e promete. A gente nunca foi um casal de verdade, sempre fomos mais amigos, não deixa essa amizade morrer não.
Queria muito que você soubesse que se você precisar de um ombro pra chorar no meio dessas tardes de sol, ou nessas noites sombrias, pode me ligar, eu vou correndo te socorrer, meu bem. Eu queria terminar dizendo isso, você é especial pra mim e eu te amo como um melhor amigo o qual não se pode abandonar.