Continuo andando por essas ruas tão cinzas nessa noite tão fria, com essas pichações tão sem-sentido, admirando essas putas tão insanas, ouvindo esse silêncio tão triste, carregando na mala esses sentimentos tão complicados.
Caminho por ai sozinho em noites de sábado, em que os bares estão lotados, os bordéis estão à todo vapor, as boates, cálidas. Conversa animada, risadas incessantes, beijos ardentes, abraços amáveis, sexo ardente. Me vejo perdido nesse mundo onde as pessoas saem para se divertir com os amigos ou para encontrar a pessoa com quem vai transar, eu saio pra pensar, para tentar organizar esses sentimentos tão confusos, ouvir boa música, quem sabe beber algo.
Volto para casa, esparramo-me sobre o sofá de couro legítimo que comprei no mês passado, bebo o Red Label que está guardado a séculos no fundo do armário, assisto a uma comédia romântica dos anos 80 e vezenquando fito as estrelas que brilham do outro lado da vidraça. Choro um pouco, sinto a falta dela e de como acariciava meus cabelos e como era bom ouvir aquela voz tão doce que a cada cinco minutos fazia um comentário sobre a mocinha do filme, a doçura do mocinho, o gosto do chocolate e tantos outros.
Como num instinto, pego o telefone e disco os números do telefone de minha pequena, por um momento hesito e penso em desligar, mas era tarde demais:
- Alô?
- Oi… Como andam as coisas por ai?
- Bem e por ai?
- Um pouco monótonas.
- É…
- Ta fazendo alguma coisa?
- Não, nunca faço nada em sábados à noite, você sabe.
- Quer vir aqui? Digo, pra assistirmos a uma comédia romântica?
- Aquelas antigas que você guarda?
- É…
- Em vinte minutos chego ai.
Tutututu.
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