No meio dessas madrugadas infindas de insônia, fito o teto e as cortinas meio sem-cor, o guarda-roupas escancarado e vejo minha imagem meio turva refletida no espelho. Escrevo um milhão de palavras e frases sem sentido, penso nas palavras que tentei te dizer mas que continuam engasgadas por aqui. Não, não vou dizer que sinto falta do seu afeto e dos seus beijos, não sinto. Isso mesmo: não sinto falta de você. Mas não adianta, não vou mentir, você vez por outra ainda invade meus pensamentos insanos à penumbra desse quarto frio.
Não, a gente nunca deu certo. Se é que algum dia realmente existiu 'a gente'. Durou quanto tempo? Dois meses? Sim, dois meses e alguns dias. Mas não, não deu certo. Você se lembra de um dia sequer que a gente não tenha brigado, nem ao menos uma discussãozinha? Eu não. Você era ciumento demais, possessivo demais, hipócrita demais e, não quero mentir, eu também era. Me diz como é que podia dar certo uma história dessas? Só o amor não basta, só o fogo não basta. Apenas em filmes de comédias românticas isso é o suficiente.
Eu era carente, você não sabia dar carinho. Você queria palavras de afeto, eu não as tinha. Eu queria estar sempre junto, você não se esforçava para que nos víssemos. Você era popular, eu era a menina tímida que não simpatizava com suas amigas. É, realmente não podia dar certo. Eu sou imperfeita demais, ou nós dois somos? Tanto faz, o que interessa é que foi melhor assim: cada um segue seu rumo.
Mas, hey, só queria te dizer uma coisa: a sua voz acalmava esse meu coração aflito, você me arrancava sorrisos por qualquer besteira que fazia e eu gosto de você, só atende a esse pedido: não me esquece num canto qualquer, me guarda ai juntinho de você. Eu vou te guardar aqui.
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