Sábado à noite em casa, trancada no quarto, sentada no chão em frente ao espelho, fitando aquela imagem que é refletida, observando as próprias lágrimas escorrerem por aquele rosto agora tão vermelho, busca abafar os soluços com as mãos, mas é em vão, são altos demais para serem abafados assim. Li outro dia, em algum lugar algo assim “As mulheres choram em frente o espelho para se fazer companhia”, concordo.
Quem a vê, não diz que ela seja assim, tão destruída emocionalmente. Ela é moça bonita, de boa família, com alguns amigos, inteligente, mas quem diria que ela é estragada, deformada, desestruturada emocionalmente. Quem diria que aquela garota tão bem resolvida, alegre, divertida, é assim…
Ela chora como se sua dor fosse a maior do mundo, não é. Mas ela chora, chora com sua alma machucada, chora porque não aguenta toda essa pose a qual se sujeita. Chora porque é menina mimada, chora porque quer colo de mãe. Seus motivos não são os melhores nem maiores, mas foda-se, ela chora como se fossem.
É sábado à noite e ela está sozinha num apartamento de paredes finas e sabe que os vizinhos ouvem seu choro. É sábado à noite e ela não saiu pra beber com os amigos ou pra beijar lábios desconhecidos. É sábado à noite e ela se faz companhia enquanto chora por motivos pequenos acumulados. É sábado à noite e ela põe todo o choro engolido em dia. É sábado à noite e ela apenas chora.
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