Tinha uma xícara com café forte em mãos quando acendi um cigarro, na primeira tragada senti a garganta arranhar. Senti-me cansado pela noite mal-dormida. Ela. Ladra de paz. Ela roubou-me o ar, mesmo aquele mais poluído pelo tabagismo.
Cá estou eu, sentado na mesa da cozinha, tragando um cigarro e tomando café, observando através do vidro embaçado as nuvens cinzas no céu , veja só como me deixaste, amor, abandonado.Levaste tudo, meu bem, de tuas tralhas às nossas fotos, nossos cigarros, teus livros e um pedaço de mim, um grande pedaço de mim.
Entre devaneios em ti, ouço aquele CD de MPB - o nosso favorito -, e lembro-me de como gostavas daquela Faixa 12, ficavas inquieta nas onze músicas que a antecediam, sem passar uma sequer, e quando ela começava a tocar, cantavas junto com tua voz rouca e desafinada, bailavas descalça pela sala e carregavas no rosto o mais belo de teus sorrisos. Ah, amor, que saudade do teu sorriso.
Choro entre tragadas de cigarro e goles de café, guardarei-na em mim. Guardarei tua voz rouca, teus olhos castanhos, o calor de teu corpo e o sabor de tua boca, guardarei-te, minha pequena.
Nenhum comentário:
Postar um comentário