quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Piegas


Meu pequeno,
Com certo receio começo a escrever-lhe esta carta, sei que talvez não a lerás, por que talvez ela nunca chegue até sua caixa de correio. Fito o relógio, são três da tarde, faz um dia lindo lá fora, mas sem você não tenho vontade de aproveita-lo. Ligo a TV e passa uma ridícula novela romântica antiga, no rádio toca uma música melosa. Tudo é amor por aqui.
Desde que você se foi, as cortinas perderam a cor, o chocolate ficou sem sabor, o céu ficou cinza e todas as canções tristes me descrevem. O que é que você fez comigo?
Quero que saibas que todos os móveis estão no mesmo lugar e o meu café continua amargo, porém nossos livros estão empoeirados e a carta que deixaste está amarelada – são as marcas do tempo.
Ando escrevendo muitas cartas e contos românticos, talvez porque eu precise ocupar esse oco com algo que não seja lembranças de ti. Tinhas razão, meu bem: sou piegas, sou uma fanática por amor.
Com todo o meu amor,
Sua Júlia.

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