Hoje, novamente, o sono não veio fácil. Após rolar na cama até arrancar-lhe os lençóis, levantei-me e fui até a sala, sentei no sofá e olhei fixamente a janela.
Pensei em te ligar, mas isso seria dar o braço à torcer, desmentir-me, tirar aquela velha mentira que eu vestia nos últimos meses de ‘eu-não-gosto-mais-dele-e-ponto’. O que evidentemente era mentira, talvez a mais esfarrapada que já contei. Imaginei um romance e repreendi-me, tinha que me convencer de minha mentira.
Passava das duas da manhã quando caminhei até a cozinha e preparei um café, este que ficou forte demais. Meu coração pedia inquietamente que eu fosse honesta comigo mesma, pelo menos dessa vez, mas eu não queria dar o braço à torcer, repeti pra mim mesma várias vezes:
- Não devo me apaixonar, não devo me apaixonar, não devo…
Não me segurei e peguei na última gaveta da escrivaninha fotos nossas de tempos atrás, sorri escancarada. ‘Como éramos felizes quando nos transbordávamos um do outro’, senti uma lágrima escorrer.
Peguei a caixa com nossas fotos e coloquei no carro, dirigi apressada madrugada à dentro até sua casa. Toquei a campainha algumas vezes e você atendeu-me sonolento.
- Oi, o que você quer aqui a essa hora? - isso soaria grosso na voz de qualquer homem, não na dele.
- Er… Eu não conseguia dormir e… - fiz uma longa pausa - fiquei pensando em nós.
- Você sente saudades disso?
- Sinto, sinto muita saudade - disse já aos prantos.
- Vem, minha menina, entra aqui - ele disse puxando-me para dentro.
Colocou-me sentada no sofá e foi à cozinha, voltou com duas xícaras de chocolate-quente em mãos, entregando-me uma. Ficamos em silêncio por um bom tempo, apenas nos olhando.
- Eu também sinto saudades - ele disse entre uma golada.
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