sexta-feira, 4 de maio de 2012

Discutir Caio Fernando


Eu sorrio meio sem-jeito quando te vejo entrar pela porta e dar-se de cara comigo esparramada pelo sofá com um saco de pipocas do lado, um livro nas mãos, um moletom maior que eu e o cabelo preso num coque. Você sorri. Me fita mais um pouco e sussurra ao pé-do-ouvido:
- Nunca te vi tão linda - e sela com um beijo.
Se joga no sofá ao meu lado e pega um pouco da pipoca.
- O que você ta lendo? - ele diz enquanto mastiga.
- Caio - respondo sem olhá-lo.
- De novo? Esse cara é tão sentimental, isso não te faz bem, você já é sentimental o suficiente.
- Preferia que eu fosse fria? - agora encaro-o.
- Não quis dizer isso, minha pequena, é só que parece que ler essas coisas sentimentais demais te deixa introspectiva e - ele faz uma pausa e continua num sussurro - mais distante de mim, sinto como se te perdesse pra esse cara aí.
- Ah - sorrio - não tem com o que se preocupar, ele já morreu e era gay - ironizo a situação.
Caímos numa risada gostosa e profunda que deixamos de rir por esses dias longe. Continuamos ali por algum tempo, eu defendendo firmemente Caio e ele pedindo - quase implorando - que eu parasse com essa ideia de ler ‘sentimentalismos adolescentes’. 
Terminamos nus jogados na cama encarando um ao outro com sorrisos apaixonados, como se fosse a primeira vez de ambos. Não era, nem seria a última, nem a melhor, mas foi nossa e tudo que é só nosso, é infinitamente especial.

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