Sentado sozinho numa mesa próxima à porta, observa a chuva que cai lá fora, as pessoas correndo pelas calçadas buscando abrigo ou apenas procurando não encharcar-se mais antes de chegar ao destino. Ele vezenquando sentia um frio na nuca quando a porta se abria e alguém encharcado atravessava a porta.
Pede uma xícara de café forte. Tem uma caderneta azul aberta numa página em branco e uma caneta, rabisca algumas frases sem-sentido, umas palavras soltas e solta um suspiro. Falta inspiração, nem mesmo esse frio, a chuva ou o café cairiam bem nessa poesia de um homem sentado sozinho na mesa de uma cafeteria no centro que observa as pessoas na rua esperando que a próxima que passar por seus olhos será ela: encharcada, descabelada, com saltos finos e sobretudo, carregando uma maleta. Ele crê que será ela a próxima a passar e é sobre isso que ele escreve. Tenta arranjar palavras, verbos de ligação, orações, versos, estrofes e o título. Qual seria o título dessa poesia tão real de alguém apaixonado que sempre espera pelo seu amor?
Rabisca o nome dela na folha seguinte, desenha coisas clichês e deseja forte, deseja com toda a fé que possui em si que seja ela a mulher que abriu a porta apressada. Ele se vira, não a reconhece de primeira, certamente mudou muito desde a última vez que se viram a oito meses. Ela o vê, sorri. Ele tem vontade de se levantar e correr para os braços dela, mas não o faz, apenas sorri de volta.
- Oi - ele diz meio sem-jeito.
- Oi - ela diz enquanto se aproxima.
- Quanto tempo… Você sumiu e nem mandou notícias.
- É… Precisava colocar os pensamentos em ordem.
- Conseguiu? - ele riu enquanto lembrava-se o quão desastrada e caótica ela era e como gostava de toda essa pessoalidade dela.
- Não - ela riu e sentou-se junto a ele naquela mesa.
Prosseguiram conversando por horas, contando dos dias monótonos e chatos que tiveram e como queriam estar juntos numa tarde de domingo, numa mesa de bar, em uma sorveteria ou apenas jogando conversa fora numa praça calma.
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