quarta-feira, 18 de julho de 2012

Viciado


São onze e quarenta de uma noite nublada de um sábado qualquer, ele está sentado num canto do bar, está na terceira dose de whisky, tem o olhar vazio e o coração cheio, transbordando em lágrimas por um amor vagabundo que se foi. Uma puta barata viciada. Ele está em prantos por uma puta de esquina viciada que entregou-se numa noite em seu apartamento por uma merreca em dinheiro e um maço de cigarros. 
Agora ele tem um cigarro nas mãos, traga-o como um viciado em tabaco. É isso: ele se viciou porque aquela puta carrega em si o cheiro de cigarro, impregnado nas roupas, nas mãos, no corpo e em seus dentes amarelados. Agora ele fuma porque isso o faz lembrar daquela noite de obscenidades, ambos nus jogados na cama, ela com suas marcas de seringas por todo o corpo, ele acariciando-a e beijando cada centímetro imundo daquela mulher.
Ele bebe mais algumas doses de whisky e não consegue apreciar as mulheres sentadas que riem feito loucas na mesa ao lado, todas muito bem-vestidas, insinuando-se e bebendo, seria fácil levar qualquer uma delas para cama, não fosse ele ao menos aguentar-se de pé. Corre até o banheiro e vomita tudo aquilo que acabou de beber. É um fracassado. Deixou fracassar por uma puta. 
Volta pra casa à pé por entre essas ruas escuras e grafitadas metropolitas, sobe as escadas até o terceiro andar do prédio, abre a porta e se joga no sofá bordô com cheiro de mofo no meio da sala. Amanhã vem a ressaca.

Nenhum comentário: