domingo, 1 de abril de 2012

Manhã nublada de um domingo qualquer

Estou debruçada na janela do meu quarto, tenho uma xícara de café quente em minhas mãos. Visto um moletom que caberia duas de mim ─ ou até três ─ dentro, estou de meias e meu cabelo meio emaranhado está solto. São cerca de sete e meia da manhã de um domingo nublado. Não há quase ninguém andando pelas ruas, não há muitos pássaros no céu.
Sinto um calafrio com o vento que entra pela janela, tenho vontade de fechá-la e enfiar-me por debaixo das cobertas, mas não o faço. É tão irônico, ou até mesmo cômico, ver-me aqui, à essa hora da manhã, sozinha, lembrar de todos aqueles que já disseram que nunca iriam, que me fariam companhia pra sempre. Ontem à noite, o último deles foi embora, Lucas é o nome dele. Então, Lucas veio aqui ontem, planejávamos assistir a alguns filmes e dormir juntos, mas como você já deve ter percebido, isso não aconteceu. Ele chegou, beijou-me e então discutimos, não por um motivo qualquer, o filho-da-puta saiu para o banheiro e seu celular tocou, eu atendi, era uma filha-da-puta de quinta que o chamava de 'amor', ele tentou se explicar, mas de trouxa só tenho a cara ─ e talvez o coração ─, mandei-o embora. Devo ressaltar que depois de todo esse acontecimento, entupi-me de chocolates e outros doces que encontrei na geladeira, joguei-me na cama e chorei até soluçar, sem a preocupação de quando era adolescente e precisava tapar os soluços com travesseiro, chorei alto, esmurrei os travesseiros e suspeito que o vizinho ouviu meus lamentos.
Como lhe dizia antes de contar o acontecimento de ontem à noite, estou sozinha, completamente so-zi-nha nesse apartamento escuro que cheira à mofo durante essa época do ano. Debruço-me um pouco mais no parapeito e tenho o súbito desejo de voar, jogo a xícara no chão e lanço-me pelos ares, a queda dura pouco mais de oito segundos e logo sinto algo frio encostado em minha buchecha, é a última coisa que sinto.

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