É quase de manhã e ainda não dormi, fiquei debruçada sobre a janela do quarto observando a chuva cair. Chuvas me lembram lágrimas, então chorei, chorei porque senti que o céu chorava comigo. Chorei por tudo que podíamos ter sido e não fomos, talvez por imaturidade, ou orgulho, talvez por ambos.
O relógio despertou, mas já estava de pé a horas. Corri para a cozinha e tomei algumas xícaras de café, comi alguns biscoitos e voltei pro quarto, escorreguei pela porta, derramei-me em prantos novamente, agarrei-me aos meus joelhos e deixei os cabelos escorregarem até o rosto, os soluços eram altíssimos, acordaria o prédio, se eu ao menos morasse em um. Esmurrei as paredes culpando-as por não saberem aconselhar. Eu nunca sei o que fazer, eu nunca tenho com quem conversar e acabo confessando às paredes. De tola que sou, até aprendi a ser sozinha, ultimamente ter alguém à minha volta tem incomodado, tenho receio em chorar na frente delas, pessoas julgam, e tudo o que não preciso são julgamentos, sei da minha tolice arrogante, não é necessário que a ressaltem-na novamente.
Esse tempo todo sozinha, amor, me fez perceber o quão orgulhosa -, ou talvez até medrosa - eu fui com nós dois, mas tudo bem se não deu certo, nós chegamos bem perto.
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