Escrito ao som de Vambora - Adriana Calcanhotto
Ei, não me deixe não, olhe só pra mim: só tenho pose de mulher decidida, porque eu sou carente demais, amor, preciso de você aqui comigo hoje e amanhã, pra sempre se puder. Vem cá, me abraça forte e diz que me ama, me conforta, me dê colo e um beijo no olho, vem, fica, me faz dormir, acaricia meus cabelos e me nina, me faz sua menina.
Ainda tenho o seu perfume gravado na memória, sinto-o a cada noite enquanto rolo na cama morrendo de insônia e falta de você. Nessas noites eu acendo a luz do abajur e abro aquele livro que a gente costumava ler uns trechos juntos, página 195 'Isto é estar em casa. Nós dois'*, repito três vezes e desabo, choro feito criança que acorda sozinha no meio de uma noite escura e é exatamente assim que me sinto: sozinha, terrivelmente sozinha: só eu jogada na cama com os cabelos desgrenhados com um livro nas mãos à penumbra, chorando.
Você lembra? Diz que sim, por favor. Você ainda lembra da nossa música, aquela que cantarolávamos em manhãs de domingo, eu vestia sua camisa e você fica de cueca, aquela que dizia assim 'ainda tem você na sala'. Não, não tem mais, o que existem são apenas lembranças, nós dois sorrindo nas fotos que eu não tirei da estante, o CD que ainda não tirei do som, os livros que estão empilhados na mesa de centro, a capa do filme que a gente costumava ver. Ainda existem vestígios de você.
'(...) a palavra casa não é um lugar. É uma pessoa'*. Você é o meu lar, sem você eu tô assim: jogada às traças, soluçando de tanto chorar, lembrando de nós, desejando você deitado na minha cama de solteiro, nós dois, corpo colado. Volta, amor. Vem, vambora.
*Trecho do livro Anna e o Beijo Francês, Stephanie Perkins.
Um comentário:
romantismo e saudade
sempre rendem textos interessantes
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